Carreira: Qual é a hora certa de mudar?

September 17, 2010


Sabemos a hora certa de dar um rumo novo a nossa carreira? Ou seguimos o que foi planejado desde que saímos da faculdade? Sabemos qual o melhor momento de sair de um emprego que não nos motiva? Ou aceitamos continuar nele, pois pelo menos temos o dinheiro certo no final do mês? Assumimos os riscos e mudamos totalmente de profissão? Ou nos mantemos firmes e abraçamos aquilo que escolhemos quando tínhamos menos de 18 anos de idade?

Esse é um assunto tão delicado, são escolhas e decisões que muitas vezes nos atormentam, que nos fazem pensar se o rumo que nossa carreira tomou é aquele que realmente desejamos. Não é fácil admitir que erramos, que é preciso mudar ou mesmo que precisamos de um tempo para descobrir o que verdadeiramente queremos. Às vezes é necessário um sacolejo da vida para enxergarmos o que não queremos ver, para tomarmos decisões que normalmente empurramos com a barriga.

Vamos a uma nova história - a de Maria - que é uma compilação de vários acontecimentos que ocorreram com algumas pessoas que conheci nessa vida.

Maria desde que terminou o colegial tinha certeza do rumo de sua vida profissional, queria chegar nos 40 anos tendo alcançado o auge de sua carreira: ser diretora financeira de uma grande empresa.
Traçou todos seus passos para chegar ao seu objetivo. 
Entrou numa excelente faculdade de Administração e se destacou nas matérias financeiras. Morou 1 ano fora do país para aprimorar seu inglês e quando voltou conseguiu um estágio numa empresa de consultoria.
Ficou tempo suficiente para aprender a "ralar", depois foi em busca da sua área dos sonhos. Esse novo estágio perdurou até o último semestre da faculdade, nele ela começou fazendo trabalhos puramente operacionais até chegar ao patamar que queria - analisar dados que ajudassem a empresa a tomar decisões estratégicas importantes.
Maria não saía muito, gostava de dedicar seu tempo aos estudos, a pesquisas e a aprender mais sobre sua área de atuação. Fez diversos cursos e, ao concluir com louvor sua faculdade, tinha um belo currículo em mãos.
Para entrar na empresa que desejava fazer carreira, participou de um longo processo de trainee. Mas, como era determinada e confiante, nunca baixou a cabeça e achou que seria impossível. Realmente ela entrou e começou com todo o gás.
Todas as dificuldades pelas quais ela passou nunca a derrubaram. Os obstáculos eram necessários, as puxada de tapetes normais, as frustrações e alegrias se alternavam, mas ela jamais perdeu a motivação de chegar ao cargo que almejava.
Durante os anos foi se aprimorando, fez pós graduação e já tinha em mente fazer um MBA. Raramente chegava em casa antes das 10 da noite. Trabalhava muito, dava seu sangue pela empresa.
No entanto, sua vida social era quase nula, só saia quando algumas amigas a venciam pelo cansaço. E foi numa dessas raras noites de diversão que ela conheceu Pedro.
Pedro era um advogado bem sucedido, 2 anos mais velho que Maria. Ela logo se encantou por ele, e foi nesse relacionamento que ela conseguiu enxergar coisas que não via antes. 
A família dela era extremamente focada na carreira e no sucesso profissional, todos seus irmãos, tios e primos trabalhavam em grandes empresas e ganhavam bem. Seus pais ensinaram o valor do trabalho e do dinheiro. E era por isso que ela tinha seguido o mesmo caminho.
Já Pedro, apesar de ser bem sucedido, valorizava outras coisas: gostava de viajar, ler romances, ir ao cinema, museu e parque. Gostava de artes, história, matemática, filosofia, culinária, vinhos e até BBB.
Ele queria ter sucesso profissional, ganhar bem, mas queria qualidade de vida. Queria uma família feliz, unida e que se apoiasse nas decisões e escolhas que fossem feitas.
Maria aprendeu com Pedro nos 2 anos de namoro mais do que tinha aprendido em seus 26 anos de vida. E passou a sonhar com casamento e filhos. Antes pensava que se casaria depois dos 30 e que com 35 anos teria um único filho. Tudo era milimetricamente planejado.
Pois foi necessário uma pessoa para que Maria mudasse seus conceitos. E o que era valorizado por ela antes já não era tanto hoje. Ela se tornou mais sociável e chegava em casa até no máximo 8hs da noite. Viajou mais, sorriu mais e viveu mais.
E casou com Pedro. O sonho de ser uma diretora não morreu dentro dela, mas as prioridades passaram a ser outras. Por isso, durante 4 anos, ela se dedicou exclusivamente à família, engravidou, cuidou dos filhos e aprendeu a costurar. Também viu que tinha um talento nato para desenho. E começou a criar algumas bolsas para ela e para as amigas.
Só que se sentia triste por não ter chegado ao lugar que tinha sonhado quando jovem. Sua família não apoiava que ela fosse uma simples dona de casa.
Por isso voltou ao mercado de trabalho e investiu tempo e dinheiro em cursos. Conseguiu um emprego bom, seu cargo era bem abaixo do que tinha antes. Não podia reclamar, 4 anos e tudo mudou.
Só que em poucos meses ela percebeu que não gostava mais de números e planilhas. Que a área financeira e trabalhar longe de casa não era mais seu sonho.
Travou uma batalha interna para se convencer que tinha que fazer o que gostava, que tinha que assumir o risco de sair de um emprego estável e de uma carreira de sucesso por um projeto que a fazia se sentir parte de algo que acreditava e não uma peça numa grande empresa, um nome no mercado.
Pedro sempre a apoiou e esteve ao lado em todas as decisões tomadas.
Maria decidiu investir nas tais bolsas, que eram só um hobby no período em que estava parada. Começou a vender para amigas e pessoas que conheciam seu trabalho por boca a boca. Em seguida passou a vender na sua região e até comprou uma salinha para poder fazer suas criações em um espaço adequado. Depois de 2 anos já era uma micro empresária. Já vendia para sua cidade e proximidades.
Tudo que ela aprendeu desde os tempos de faculdade a ajudou na administração da empresa e no cálculo dos riscos e dificuldades do pequeno negócio.
Hoje ela é realizada! Profissionalmente e pessoalmente. 
Não se arrepende das escolhas que fez. E as faria de novo, não tem dúvidas... pois se orgulha da pessoa que se tornou, e é imensamente feliz por ser mulher, esposa, mãe, dona de casa e empresária. E não apenas uma diretora financeira da empresa X.

Nem toda história tem um final feliz, nem todas as decisões e escolhas que fazemos são corretas, mas aceitar uma situação que não nos satisfaz e nos acomodar é pior, pois nos 'mata' dia após dia. Temos que assumir riscos em busca do que acreditamos, afinal...
Do que adianta sobreviver ao invés de viver? Ter uma vida e sentir que não é vivida plenamente?
"Todo homem morre, mas nem todo homem vive de fato." (William Wallace, Coração Valente)

10 comments:

Fernanda Reali on September 17, 2010 at 10:05 AM said...

Ótimo post!
Quando a gente opta por abrir mão de uma coisa e se dedicar à outra, é um sofrimento. A cobrança é de que poderíamos faer tudo. Só que não poderíamos fazer tudo E ter qualidade de vida. Sim, fazemos escolhas e pagamos o preço. E nunca estamos 100% satisfeitos.

beijooooo

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez on September 17, 2010 at 10:28 AM said...

Eu conheci pessoas que seguiram caminhos aparentemente vitoriosos (emprego estável, sucesso profissional) mas que viviam em depressão, com vontade de morrer. Trocaram de rumos, ganharam bem menos. Mas se sentiam tão mais felizes...

não sinto que a vida valha a pena se não for de maneira feliz. claro que com bom senso, mas tem que ser uma vida feliz. mesmo q seja uma vida mais simples. e temos q tentar.
bjs bom dia

Bia on September 17, 2010 at 1:17 PM said...

Oi Jô!

Adorei o post! Mudar não é nada fácil, ainda mais quando a maioria da concepção que temos de mudança é que é algo doloroso e com resultados pessimistas. Esquecemos que mudar pode ser muito melhor do que obter sucesso em algo que, no fundo, não te dá prazer! Eu trabalhava muito e tinha uma carreira sólida e em crescimento. Viajava, tinha contato com gente interessante e ganhava bem. Mas minha cabeça ficava sempre na minha casa, onde eu queria ficar sossegada, curtir a vida, ter filhos e cuidar deles! Tinha medo dessa mudança, de ser tachada de madame ou dona-de-casa frustrada. Mas quer saber? Sou muuuuito mais feliz depois que encarei essa mudança na minha vida!
Bjs

Leticia on September 17, 2010 at 2:16 PM said...

Jo
Li... parei... e até pensei em comentar outra hora.
Muito bem colocado o fato de que as prioridades mudam com o tempo. Até mesmo os sonhos, né? Eu saí da faculdade, com a certeza de que aos 30 estaria com o doutorado defendido, dona do meu próprio escritório de arquitetura e outras tantas coisas. Ledo engano. Aconteceu tanta coisa no meio do caminho... inclusive a mudança de planos. Parei no mestrado, quando conheci o Ricardo... defendi e tudo bonitinho, mas achei que tinha que viver outras coisas antes.
Sobre o trabalho, vivo o dilema... ainda... mas é assunto para a minha terapia e para as minhas noites insones... rs.
Beijos
lelê

Leticia on September 17, 2010 at 2:16 PM said...

Jo
Li... parei... e até pensei em comentar outra hora.
Muito bem colocado o fato de que as prioridades mudam com o tempo. Até mesmo os sonhos, né? Eu saí da faculdade, com a certeza de que aos 30 estaria com o doutorado defendido, dona do meu próprio escritório de arquitetura e outras tantas coisas. Ledo engano. Aconteceu tanta coisa no meio do caminho... inclusive a mudança de planos. Parei no mestrado, quando conheci o Ricardo... defendi e tudo bonitinho, mas achei que tinha que viver outras coisas antes.
Sobre o trabalho, vivo o dilema... ainda... mas é assunto para a minha terapia e para as minhas noites insones... rs.
Beijos
lelê

Dona Amélia on September 17, 2010 at 7:17 PM said...

Preciso dizer, antes de tudo, que esse post é, pra mim, luva, carapuça e um grande motivador!
Há tanta coisa acontecendo comigo, que fica difícil falar e muito menos postar. Mas sei de uma coisa, nunca busquei outra coisa que não a qualidade de vida, agora é tempo de optar de verdade e assumir mais riscos, mas com a certeza firme e inabalável de que dará certo! ;oD
Obrigada, frô, por tê-lo escrito e pela Fer, que viu primeiro e já me viu nele tb. rs

Xeros às duas!!

Paty

Telma Maciel on September 18, 2010 at 11:07 AM said...

Ando precisando ler coisas desse tipo. Em breve vou precisar tomar uma decisão na minha vida mas tô com medo. É essa coisa da sociedade 'impor' que a mulher tem que trabalhar pra ajudar no sustento da casa. E aí a gente se mata, os filhos ficam meio de lado...
Enfim... eu já sei o que quero, mas tomar a decisão de verdade tá difícil! rs
Mas o texto me ajuda a refletir um pouco... vou pensar mais um cadim!
Beijo!!

Elaine Gaspareto on September 18, 2010 at 3:32 PM said...

Joana,
Eu trabalho em casa. Ganho um pouco mais do que se trabalhasse fora, trabalho 3 vezes mais.
Mas escolhi isso, pois assim estou em casa o tempo todo, sem trânsito, sem stress de patrão. Faço almoço para o marido, fico com as cachorras... não vou subir na profissão mas também não vou ter um colapso.
E quer saber? Agradeço todo dia a vida boa que levo. Mesmo trabalhando até as 9 da noite, todo dia, até aos sábados se bobear rsrsrs
Minha prioridade é a paz.

Beijosssssssss

Jackie Freitas on September 20, 2010 at 7:15 AM said...

Oi Jo querida!
Ótimo exemplo para demonstrar o quanto mudamos no meio do caminho. Cada decisão tomada, se for consciente e bem analisada, com certeza não causará danos futuros. O problema é agir impensadamente e depois cobrar das pessoas as nossas frustrações.
Adorei!
Grande beijo,
Jackie

Giuliana: on October 3, 2010 at 7:10 PM said...

Jô,

Assim como tantas outras pessoas, me senti uma Maria!

Até outro dia estava comentando que o que sonhava a 10 anos, está tudo diferente, e tomando rumos diferentes.

A mudança que preciso, alimento a idéia a vários anos, porém apareceu uma pessoa super importante em minha vida, e adiei um pouco, justamente porque essa pessoa quer o mesmo que eu, e estamos nos preparando.

Mas não é fácil, enquanto tudo está na teoria e planejamento parece razoável, mas quando começamos a tirar do papel vamos nos esbarrando com tantas dificuldades e obstáculos, só que de uma coisa eu tenho certeza: "Tarda, mas não falha". E em breve quero vir aqui te contar que tudo deu certo..=]

E realmente, com o passar do tempo as prioridades mudam, os conceitos são reavaliados, e a gente tenta se encaixar numa nova realidade.

Quero o final semelhante ao de Maria: realização e qualidade de vida!

Beijos.

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